O Galpón · La Bruja é um atelier aberto conduzido por Victor R. R. Mendes, onde cada peça — banheira, móvel ou objeto — é desenhada, cortada e oxidada uma a uma.
Victor R. R. Mendes conduz o Galpón como artífice: é dele o traço no caderno, o corte da chapa e a decisão de quando a oxidação chegou ao ponto certo. Não há linha de produção — há uma bancada, um tempo e uma sequência de escolhas.
O atelier trabalha de portas abertas. Quem encomenda acompanha o processo: vê o croqui antes do aço, escolhe o acabamento sabendo o que cada um faz com a luz, e recebe uma peça que não se repete.
A ideia central do Galpón é simples e teimosa: não esconder o processo. As emendas ficam à vista, as marcas da oxidação são conduzidas em vez de disfarçadas, e as fotos do catálogo são publicadas sem retoque.
É o oposto do objeto industrial, que precisa parecer que ninguém o tocou. Aqui, a peça carrega a mão que a fez — e é isso que a torna única.
A superfície não é acabamento. É paisagem.
Cada peça sai do atelier com um desenho que ninguém planejou: as manchas da oxidação, o rastro do fogo, a marca da lixa. Vistas de perto, parecem campo, serra, água parada — o mesmo lugar onde as peças são fotografadas.
Corte e conformação à mão, emenda a emenda, sem molde industrial.
A reação do metal é controlada até o tom exato e selada com verniz.
Cada peça nasce de uma conversa e é desenhada para um espaço específico.
Toda peça começa a lápis, entre rasuras e contas de oficina — as medidas anotadas na bancada são as mesmas que viram chapa no dia seguinte.
Depois vêm o corte, a conformação, a oxidação e o verniz: quatro tempos que definem a superfície final. Nenhuma etapa é acelerada para caber num prazo de fábrica.
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